Verão 96-2006
o mar é bêbedo e ele é o teu corpo
quando te embriagas revoltas-te
e eu mergulho nas tuas ondas bêbedas e zangadas
oh lá vem mais outra
outra onda que me cobre pernas, ventre, cabeça
no início brincava contigoe eu mergulho nas tuas ondas bêbedas e zangadas
oh lá vem mais outra
outra onda que me cobre pernas, ventre, cabeça
tu vinhas e eu fugia
e só às vezes, às vezes
me acariciavas
molhavas
os pés
o calcanhar em fuga
enterrava-se na areia ensopada
mesmo cega já te reconheço
onda orgulhosa
de vaga em vagaonda orgulhosa
sucessivas marés
cresceram-me algas
um dia, Verão 96-2006
à espera de qualquer coisa
sempre diferente
um dia, entrar no mar
estender-me, nadar
desaparecer sem pânico
estender-me, nadar
desaparecer sem pânico
olhar para trás, para o mar
à espera de voltar a ver-me sair do mar
esperar as cheias
à espera de voltar a ver-me sair do mar
esperar as cheias
um dia apareço entre as rochas
pairo acima das casas
sobrevoo o nosso jardim
um dia recolhes-mepairo acima das casas
sobrevoo o nosso jardim
comes-me
eu já peixe
sem escama



4 Comments:
É teu este belissimo poema de tão grande intensidade erótica- maritima?
Rose,
Nem sei se és de Lisboa, mas
deixei-te um convite no
EXTRANUMERÁRIO e gostaria
imenso que aceitasses...
Continua a sorrir!
Nós homens quando se trata de sereias, todos gostamos de peixe!
Quanta doçura, quanta maresia, quanta luxúria terna irradiando como um sol poético!
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