quinta-feira, maio 11, 2006

pelo canto do olho assisto ao canto do teu canto do olho
uma melodia frágil, mas curiosa

de mim

e então sou uma orquestra desafinada
imagina
membros violinos, pés oboés, a coluna uma flauta
pestanas de harpa, coração tambor, e a língua pratos

pelo teu canto do olho assisto ao meu ensaio sem maestro
ruidoso, mas inaudível

infeliz

às vezes peço pelo canto do olho
que me libertes do teu olhar

que o teu olhar me faz
cego,
respondes que esse canto não me determina

mas em qualquer esquina, ali ou a milhares de quilómetros
pelo canto do olho assisto ao canto do teu canto do olho

e esse olhar desfaz, amor, desfaz







(assobio: se me libertares não exageres na indiferença)

9 Comments:

Blogger Silvia Chueire said...

Gosto muito, muito deste texto. Da sutileza, da delicadeza das palavras. Do recado que parece dar.

Abraços,

Silvia Chueire

12:05 da manhã  
Blogger Elipse said...

delicadeza e melodia, acrescento eu.
Gosta-se.

8:07 da tarde  
Blogger Joca said...

Intensamente belo...

Uma delicia ao som de Chet Baker- Almost Blue

12:25 da manhã  
Blogger LA said...

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11:05 da manhã  
Blogger Solteirão said...

Tá muito bonito, parece cantado ao ouvido

11:42 da manhã  
Blogger alvarus42 said...

pelo conto do olho te olho
pelo conto do olho te espreito
pelo canto do olho te desejo
pelo canto do olho corre uma lágrima
pelo canto do olho te prefilas
pelo canto do olho escorre o amor
para um prat vazio

3:14 da tarde  
Blogger Márcia said...

o poema todo é belo e esse adendo-assobio é delicioso.

um beijo daqui.

11:59 da tarde  
Blogger ÍntimoSedutor said...

Antes que me deite, e a noite chegue, passei por aqui para ler-te e encontrar no encanto de tuas palavras a sinfônia para minha alma, agora estou de partida mas levando comigo tua doce melôdia....

Beijos assobiados de uma visita vinda lá da paixão, quente e cheia de prazer e malícia.....

6:27 da tarde  
Blogger LA said...

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1:30 da manhã  

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