terça-feira, fevereiro 14, 2006

II

Lylia Cornelia



Eu não percebi bem a planta da casa. O quarto ficava logo à entrada e já colados arrastámo-nos até lá. Não me lembro se havia luzes acesas, acho que não, porque sei que apalpava partes de corpo para me orientar. Girei várias vezes sobre a cama. Ele era meticuloso no toque das mãos e da língua. Eu ofegava, gemia, depois imobilizava-o, trepava, lambia, montava, curvava-lhe o pénis até ele me endireitar, apertar, sacudir e gritar que se vinha. Não sei quantas vezes.


Ainda embrulhada no corpo dele, acordei com um queixume. Sei que te vais embora mas não vás, não me deixes. Silêncio, e o mesmo pedido. Fui rodando sobre mim. A claridade do dia iluminava o quarto, o quarto do casal, ele e outra mulher que não estava ali. Quando finalmente pude ver-lhe o rosto, descobri os mesmos olhos brilhantes da noite anterior mas um novo olhar, triste, desfeito. Pareceu-me que ambos sabíamos que não era comigo que falava. Mas ele beijou-me. Sussurrei-lhe que descansasse um pouco mais e ergui-me o suficiente para que adormecesse no meu colo.

Uma hora depois recolhi a minha roupa, vesti-me silenciosamente na casa de banho das escovas, cremes e batons dela, e saí para a rua fechando a porta lentamente.



- Emissão simultânea no Amem-se -

9 Comments:

Blogger Elipse said...

Somos todos feitos do mesmo barro, afinal!
E é terrível!
Gostei da forma como desenlaçaste a história.

12:00 da tarde  
Blogger Daniel Marinha said...

Gosto das sensações que os teus textos provocam. Por isso regresso. E conto continuar.

E esta impressão de cometer um pecado por passar por cá, como quando espreitava por buracos de fechadura, um retorno a um passado deliberadamente escondido por entre as memórias que mais custam lembrar.. mas ainda assim..

Não posso ter uma pisadura nas canelas que estou sempre a pressiona-la para a sentir melhor...

2:28 da tarde  
Blogger free emotions said...

Fechar a porta lentamente... Serenidade de uma mulher a transgredir, sem culpa, desejada.

7:47 da tarde  
Blogger Márcia Maia said...

Soberbo!
Um beijo daqui.

12:52 da tarde  
Blogger pirata vermelho said...

LILLY, VOLTA!

JÁ SABES QU'A GENTE DE TI ACEITA TUDO

TÁS PERDOADA

1:04 da tarde  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Angústia...

csd

6:09 da tarde  
Blogger GNM said...

Estou a gostar deste teu conto!!!

Passa um bom Domingo e não te esqueças de sorrir!

2:20 da manhã  
Blogger Mónica said...

brrbrrbrr que estalo :-(

5:23 da tarde  
Blogger Lauro António said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12:35 da manhã  

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