quinta-feira, janeiro 12, 2006

in utilidades I


todos temos estórias íntimas que podemos partilhar. esta é sobre meias de rede. ia dizer collants de rede preta mas no meu historial existem também experiências com exemplares cor de carne e encarnados (que são duas tonalidades bastante distintas).

acontece às vezes adormecermos uma fantasia para nos dedicarmos a outra. antes dos vulgares collants para mulheres crescidas, que viriam substituir as meias de lã grossa opaca, tive uns collants vermelhos. eram quase transparentes, ziguezagueados por rebordos angulosos. foram-me oferecidos aos quinze anos por um namorado que dissociava, e bem, virgindade de erotismo. com o soutien peça-de-roupa-interior-destinada-a-sustentar-e-modelar-os-seios vermelho que-a-minha-mãe-me-comprara aos doze anos para-acompanhar-uma-camisola-tricotada-de-renda-da-mesma-cor, sentia-me a mulher mais desejável do planeta terra pequenina que era a minha. resistentes, guardei essas peças de lingerie durante vários anos.

o tempo passou renovando modas, desejos e namorados. ciclos de fantasias que ornamentaram as minhas pernas. houve o fiozinho negro que começava no calcanhar e subia até onde podia na parte posterior da perna. os esfiampos às mãos de homens apressados. e as meias de rede, compradas um tamanho acima para fazer-de-conta-que-esconde a pele, dois tamanhos acima para-não-esgarçar-rapidamente. e depois, três tamanhos acima para fazer-de-conta-que-as-pernas-em-rede-podem-pescar namorados. mas devo denunciar. as novas peças de ornato são muito frágeis, duram uma utilização, descontando os buracos ao nível das nádegas. enfim, valem pela satisfação redobrada que proporcionam: ser engolidas com avidez (função histórica) e (novo atributo) sem mastigar.

7 Comments:

Blogger antimater said...

estonteia-me
tanta volúpia
ah, que sabor
do doce que me fazes!

lili

2:57 da manhã  
Blogger Claudia Sousa Dias said...

Sempre sensual esta lilly!

cSD

10:54 da manhã  
Blogger pirata vermelho said...

da tua reflexão (alegre...) ficou-me um detalhe que sempre me intrigará : a ideia que as mulheres (?) fabricaram de que têm que ser desejáveis? é atávico ou apanágio? porquê?

parece-me o princípio, um dos! do embustes que 'as' levam às d'pr'ções'

12:18 da tarde  
Blogger pirata vermelho said...

eu sei que sabes que eu sei
-depressão- não vá aparcer aí algum corrector ortográfico

um beijo

12:20 da tarde  
Blogger pirata vermelho said...

... für dir Lilly Rose für dir Lilly Rose

12:21 da tarde  
Blogger Márcia Maia said...

aqui, do lado de cá do mar, estas meias de rede são apelidadas de meias-arrastão, por analogia com as redes de arrasto dos pescadores.

bom lembrar delas. ;)

um beijo do verão, Lilly.

11:27 da tarde  
Blogger Rui Diniz Monteiro said...

Sempre me causaram perplexidade as meias sexy, os decotes, as mini-saias. Dizem-me: são para ti. Mas não são, são para todos, porque todos podem ser arrastados pelo que vêem.
E, além disso, o desejo e a paixão tecem-se não talvez aí, mas mais no olhar (que, por exemplo, olha fingindo não olhar), ou na boca (o sorriso fugidio e com múltiplos significados), ou no cheiro segundo diz a ciência.
Ou seja, suscitar o quê em quem?
Também para te dizer olá. :) Bj

2:25 da tarde  

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