quinta-feira, setembro 29, 2005

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no chão o vestido preto caído
do outro lado da janela os ramos
quase despidos gemem
e começa a cena do primeiro acto

um pouco de luz ilumina o teu corpo
uma cor azul estampa-se contra o teu tronco nu
a brisa agita as folhas mais resistentes
ouve-se um murmúrio ténuo

todos te observam enquanto dormes
quando bruscamente encaras a luz
folhas douradas soltam-se e tu moves-te
revelando a dona do vestido preto

acordamos. e o dia aplaude

a beleza tomou conta de nós
todos nos querem pertencer

se não fosse o nome da peça

no quarto 113 vista para o jardim ninguém nos diria inimigos mas como a árvore da janela já nos podámos sulfatámos regámos ultrapassámos sucessivas estações e agora inventamos a morte para este outono.

para nos enternecermos
fazes-me rir
para te rever feliz
reaconchego-me

mais le vent jette une abeille morte e como na canção as palavras já não andam juntas com o som

sabes aqueles filmes em montanhas ele sorri de linho branco ela florida feliz esvoaça e os braços se estendem e as cinturas se tocam e eles se beijam
ninguém acredita

a máscara possui-nos
todos vão querer ver-nos através dela

se não fosse o nome da peça

do quarto 113 vista de jardim o mal estar vai sair e chegar à plateia e sobre um pêndulo nós vamos actuar até ao fim da diferença que é quando chega a indiferença e de nós ficarão fios de cabelos nós nas máscaras que arrancámos

abrimos a janela e num acerto de tempos
o quarto 113 vista jardim fica deserto
a peça termina e chovem palmas
mas os actores não comparecem

era teatro. o nome da peça. na vida real malgré les déchirures ils restent ensemble et l'on n'applaudit PAS

2 Comments:

Blogger mfc said...

ijlqnescrita fluida e em torvelinho... o falar-se sózinho com alguém que apesar de ausente está bem presente.

7:24 da tarde  
Blogger mfc said...

O "ijlq" está a mais..era do word verification...acontece!

7:25 da tarde  

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