
no chão o vestido preto caído
do outro lado da janela os ramos
quase despidos gemem
e começa a cena do primeiro acto
um pouco de luz ilumina o teu corpo
uma cor azul estampa-se contra o teu tronco nu
a brisa agita as folhas mais resistentes
ouve-se um murmúrio ténuo
todos te observam enquanto dormes
quando bruscamente encaras a luz
folhas douradas soltam-se e tu moves-te
revelando a dona do vestido preto
acordamos. e o dia aplaude
a beleza tomou conta de nós
todos nos querem pertencer
se não fosse o nome da peça
no quarto 113 vista para o jardim ninguém nos diria inimigos mas como a árvore da janela já nos podámos sulfatámos regámos ultrapassámos sucessivas estações e agora inventamos a morte para este outono.
para nos enternecermos
fazes-me rir
para te rever feliz
reaconchego-me
mais le vent jette une abeille morte e como na canção as palavras já não andam juntas com o som
sabes aqueles filmes em montanhas ele sorri de linho branco ela florida feliz esvoaça e os braços se estendem e as cinturas se tocam e eles se beijam
ninguém acredita
a máscara possui-nos
todos vão querer ver-nos através dela
se não fosse o nome da peça
do quarto 113 vista de jardim o mal estar vai sair e chegar à plateia e sobre um pêndulo nós vamos actuar até ao fim da diferença que é quando chega a indiferença e de nós ficarão fios de cabelos nós nas máscaras que arrancámos
abrimos a janela e num acerto de tempos
o quarto 113 vista jardim fica deserto
a peça termina e chovem palmas
mas os actores não comparecem
era teatro. o nome da peça. na vida real malgré les déchirures ils restent ensemble et l'on n'applaudit PAS