Carta

(Paula Rego)
Eu acredito que penses o que escreves. e até talvez sintas.
E eu não tenho que pensar (porque sei) que é mau o que pensas bom.
Não sei se podes entender o que os teus olhos grandes e indiscretos podem fazer (têm feito) por mim. Endireitam-me as costas, mantêm-me o sorriso, equilibram-me o beicinho quebrado, como diz o poeta.
Audaz. A tua mente, digo líbido, escorregou da ordem para o caos. Não sei se podes entender o que é errar para dentro e para fora da vida. Seguro a tua carta nas mãos e ela tem esse peso.
Desde que a pousaste na mesa, penso em mudar de endereço, ou não. Ou entregar-me a esta vontade com alma de desportista de Inverno. Uma descida acelerada numa pista de ski depois de um salto. E estágios até ao novo ano.
Ai de mim. Queria muito um endereço permanente. E eu penso que mal nos vamos encontrar mal nos vamos querer (sim, e os outros, que mal nos vão achar)(que se lixem os pensamentos dos outros, entenda-se). Mas seria insuportável se me viesses a querer mal, se me viesses a saber mal.
Enfim flôr do mal, já te colho há algum tempo.
Acredita que sinto o que te escrevo. que não sei o que pensar.
E eu não tenho que pensar (porque sei) que é mau o que pensas bom.
Não sei se podes entender o que os teus olhos grandes e indiscretos podem fazer (têm feito) por mim. Endireitam-me as costas, mantêm-me o sorriso, equilibram-me o beicinho quebrado, como diz o poeta.
Audaz. A tua mente, digo líbido, escorregou da ordem para o caos. Não sei se podes entender o que é errar para dentro e para fora da vida. Seguro a tua carta nas mãos e ela tem esse peso.
Desde que a pousaste na mesa, penso em mudar de endereço, ou não. Ou entregar-me a esta vontade com alma de desportista de Inverno. Uma descida acelerada numa pista de ski depois de um salto. E estágios até ao novo ano.
Ai de mim. Queria muito um endereço permanente. E eu penso que mal nos vamos encontrar mal nos vamos querer (sim, e os outros, que mal nos vão achar)(que se lixem os pensamentos dos outros, entenda-se). Mas seria insuportável se me viesses a querer mal, se me viesses a saber mal.
Enfim flôr do mal, já te colho há algum tempo.
Acredita que sinto o que te escrevo. que não sei o que pensar.


4 Comments:
A paixão é um estadío sublime.
Tenho saudades da paixão.
Vive-a mesmo que depois acabe ;-)
Beijoca
yes, milady! :)
Há tanta gente que escreve o que sente… tanta que não escreve embora sentindo… Há quem escreva para si, porque não tem para quem escrever…e até há, os que mesmo a sentir…apenas não vêm… por isso não escrevem…
Gostei do que li. O quadro é magnífico e eu, aqui venho de quando em vez, para deliciar a vista e preencher-me de textos bonitos. Um beijo!
e eu já desconfiava que a paixão não te deixa nunca, mesmo que digas o contrário B-)
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